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Artes Visuais

Um perfil de Duchamp no Facebook é vendido como arte. E agora?

O culpado da vez, Thomas Cheneseau , criou uma página do facebook usando como pseudônimo o nome de seu ídolo,e decidiu colocá-lo à venda dia 28 de julho, aniversário do muso inspirador. Seu Duchamp tem como amigos apenas outros Duchamps ou Rroses Sélavys, além de só curtir páginas dedicadas ao artista que marcou o século XX, ou ao movimento dada. Ao se conectar com um sem-número de perfis duchampianos e rroseselavísticos, se constitui um centro de informações sobre arte.

O que Cheneseau  faz é um ready-made do século XXI, ao utilizar como objeto pronto o elemento numérico (a página web) em sua obra. Certas obras de Duchamp desapareceram por acidente ou pelo desejo do artista, e delas restam apenas fotos e/ou cópias, o que faz com que estas obras sejam hoje tão virtuais quanto uma página do facebook. Ou, como diz o artigo do jornal francês La Libération sobre o assunto, “Ceci n’est pas une page Facebook

Abaixo algumas imagens do perfil que Cheneseau disponibilizou no facebook:

O perfil criado por Cheneseau

Duchamp marca os amigos em suas fotos

Falando nisso, olha aí a ista de amigos dele. Adorei o Marcel Duchamp "Levrai"("o verdadeiro"), haha.

Ele varia suas amizades.

Diálogo metalinguístico com o alter ego brasileiro.

As curtidas do Duchamp.

Pode ficar triste. O perfil já foi comprado.

Jean Jacques Gay, o comprador que agora detem o nome de usuário e a senha do perfil, explica a aquisição e a obra.

“Este perfil se torna uma identidade numérica de Duchamp e, para Thomas Cheneseau, a prova viva da existência de Duchamp nos contemporâneos. O acesso é fechado graças aos parâmetros de confidencialidade do facebook, o artista reservou o conteúdo apenas ao colecionador. Apenas o único proprietário que tem a honra desta ‘descarga’ de informação. Agora a questão é: o que eu comprei no contrato de venda desta obra é ao mesmo tempo virtual e real? Os códigos de conexão, talvez… e talvez uma cumplicidade com Marcel! No entanto, o que me interessou neste gesto, foi adquirir um ready made de um terceiro tipo, e também certamente a idéia de homenagear o famoso urinol do Duchamp. Pois eu participo de certas redes sociais, eu fui responsável por grandes retrospectivas de artistas que trabalham com tecnologias novas e futuristas, e eu nunca participei do Facebook… Meu nome me permitiria? E todos os fantasmas espalhados sobre as perversões do Facebook, este nojento “urinol da web” é certamente a rede predominante. Apenas que esta página se torne o urinol da web, esta obra tão simples e tão bela. Resta demonstrar que este objeto do cotidiano é uma obra de arte.”

Pois é. Isto não é uma página do Facebook. É uma obra de arte.

Sobre Milena da Rosa Mota

Tão artisticamente atormentada que acabou por saber um pouco de muito e tudo sobre nada. Ciente que Duchamp já esteve aqui e que a culpa é dele. Maníaca por saber. Fluente em português, inglês, francês; conhecimentos em espanhol e sueco (devido a paixão súbita por Gösta Ekman e pelo cinema sueco). Sente-se triste por não ter combatido incêndios e realizado estudos sobre os chapéus de caubói, apesar de já ter tentado compreender o cérebro humano. Incapaz de jogar videogame com apenas uma das mãos, mas ainda assim deseja te desafiar. Adora assuntos sérios, mas não deseja ser levada sempre a sério. Avisa que não é emo. E não costuma falar de si mesma na terceira pessoa.

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  1. Pingback: Um perfil de Duchamp no Facebook é vendido como arte « ©JKScatena - 09/09/2011

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